Entre o Gesto e o Olhar
(joão marcos)
diante da sua beleza nem ouso erguer meu olhar
mas adivinho seus gestos, seu respirar
cada movimento seu
pressinto quando cruzarei contigo
na premonição da tua fragrância
até naquele dia em que tive forças para
perguntar: Desculpa, mas que perfume é esse?
você sorrindo, respondeu: Mas, eu não estou usando
perfume nenhum...
insisti procurando em outras
o mesmo olhar, o mesmo jeito lindo
o mesmo tom de voz,
nunca consegui entender
o que não precisava de explicação
você foi o porto em que ancorou meu coração
como dizia leminski:
se eu não te amasse, tudo seria mais fácil
inclusive compreender as alegrias sem sentido
que um mínimo gesto de sua atenção provoca
em meu universo
mas só estou escrevendo este poema
porque mesmo depois de uma semana
minha mente tem o prazer de relembrar
aquele instante mágico em que você pronunciou meu nome
não é possível esquecer aquele sorriso no momento
exato em que me voltava
você apenas sorriu e se aproximou
não disse nada, nem precisou...







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